O mais recente
blockbuster dos estúdios
da
Marvel já anda a colher boas receitas de bilheteira nos 39 países que estreou antes do seu país de origem, os E.U.A., onde estreia hoje, 4 de Maio. Até agora falam-se em pelo menos 178 milhões de dólares, perto de metade do custo total do filme. Em Portugal mais de 100 mil espectadores já viram
Os Vingadores (
trailer) desde a sua estreia a 26 de Abril. Esta é a aposta forte da
Marvel para "combater" outro grande
blockbuster que chegará às salas de cinema em Agosto:
O Cavaleiro das Trevas Renasce, de Christopher Nolan. Se bem que pelo meio ainda há a estreia de
Prometheus de Ridley Scott, que pode trazer uma boa surpresa.
Os espectadores que não esperaram para ver os créditos finais de Homem de Ferro (John Favreau, 2008) não viram a primeira aparição de Samuel Jackson como Nick Fury, o director da S.H.I.E.L.D., que se referiu pela primeira vez ao projecto The Avengers. Era a primeira pista do que estava para vir.
As aventuras de Os Vingadores começaram em 1963 nos comic books da Marvel pelas mãos de Stan Lee e Jack Kirby. Tal como acontece no filme, na BD os super-heróis mais poderosos juntam-se para combater Loki (o irmão adoptivo de Thor) e os seus aliados e salvar a humanidade da extinção. Quase 50 anos depois, Kevin Feige foi provavelmente o produtor mais atarefado de Hollywood por ter de conciliar as agendas do vasto elenco de estrelas que participa no filme: Robert Downey Jr. (Homem de Ferro), Samuel L. Jackson (Nick Fury), Chris Evans (Capitão América), Scarlett Johansson (Viúva Negra), Jeremy Renner (Gavião Arqueiro), Mark Ruffalo (Hulk, substituindo Edward Norton), Chris Hemsworth (Thor) e Tom Hiddleston (Loki; vimos recentemente este actor em Cavalo de Guerra de Steven Spielberg. Feita a hercúlea tarefa, ficaram ainda assim de fora os muito ocupados Stanley Tucci, Natalie Portman e Anthony Hopkins.

Quem também não teve tarefa fácil foi o realizador e argumentista Joss Whedon (o criador de Buffy, Angel, Serenity e Firefly) que teve o desafio de distribuir protagonismos num enredo com vários personagens sonantes. Talvez se esperasse que o protagonismo todo fosse para o Tony Stark/Homem de Ferro de Downey Jr, mas isso foi até foi bem disfarçado, pelo menos até à recta final do filme... Whedon sai com nota positiva do seu desafio e soube tirar partido do inevitável confronto de egos que era óbvio perante a perspectiva de reunir numa sala Hulk, Capitão América, Thor e o Homem de Ferro a discutir quem fazia o quê. O choque de personalidades dos super-heróis é algo que vemos na maior parte do filme até que com o aproximar da batalha final eles lá conseguem trabalhar em equipa. Antes disso podemos esperar algumas "altercações" entre eles. Por exemplo, um colérico Thor descarrega a sua fúria no Homem de Ferro até que o Capitão América chega para acalmar os ânimos.

Whedon teve também de arranjar espaço para os dois vingadores "suplentes": a Viúva Negra (a única presença feminina num grupo cheio de testosterona) e o Gavião Arqueiro. Por que não criar uma ligação afectiva entre ambos, já que não têm super-poderes? Assim o realizador pensou e assim o fez. (Mas não esperem ver cenas romântica ente os dois) A primeira ganha algum protagonismo quando mostra os golpes que sabe dar e arrasa um bando de criminosos russos no início do filme. O segundo talvez seja a personagem menos consistente, que se limita a lançar flechas sem nunca falhar durante as cenas de combate em que está presente. Afinal desde que Jeremy Renner foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor pelo seu desempenho em Estado de Guerra (The Hurt Locker, 2008, de Kathryn Bigelow) toda a gente quer arranjar meio de o "enfiar" num filme seu.

Apesar da BD de Os Vingadores não ter tido tanto sucesso como X-Men e o Homem-Aranha, deixou a sua marca no universo dos heróis da Marvel. De fora deste filme ficaram outros vingadores como Ant-Man, Wasp, Scarlet Witch, Quicksilver, Black Panther, entre outros. Se estamos perante o melhor filme dos heróis Marvel? Ainda não, mas não está longe disso.
Como Loki, Hiddleston fez um bom trabalho para ser o motivo da fúria de tantos vingadores. Os seus aliados alienígenas estão bem concebidos e não vai ser fácil pô-los a mexer do nosso planeta. Os confrontos entre eles e os vingadores são cenas de acção interessantes e que proporcionam bom entretenimento.
O Tony Stark/Homem de Ferro de Downey Jr. mantém o seu contributo para as partes bem-humoradas do filme, ainda que estas não se fiquem somente por esta personagem. O humor ao longo do filme é em si uma parte importante que suaviza a seriedade da situação em que a acção decorre. Já o Nick Fury de Samuel L. Jackson tem um poder de decisão tão amplo que corresponde noutros filmes ao de um autêntico presidente dos EUA. Pelo menos ficamos a saber o que é a S.H.I.E.L.D. e que poderes detém. Somados todos os ingredientes temos entretenimento garantido durante aproximadamente 142 minutos dentro de três géneros fílmicos: acção, aventura e ficção científica.