Um astrolábio. Uma das ferramentas essenciais que ajudaram os navegadores portugueses na época dos Descobrimentos.
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Ladrãozeco com rabo de fora
(foto "Correio da Manhã")
Há quem pense que é fotomontagem ou coisa combinada mas não é. A minha mãe esteve no local. Ontem quando o dono de um supermercado em Almancil abriu o estabelecimento as empregados alertaram-no para uma situação caricata. Um homem entalado na estreita janela de uma divisão interior do supermercado pedia socorro.
Era nada mais anda menos que um ladrãozeco na casa dos vinte e poucos anos, de nacionalidade romena, que durante a noite tinha tentado entrar no supermercado pela janela bem estreita que vemos na imagem. Deve ter achado que era o Chico Fininho e ficou lá entalado mais de onze horas. Esperneou tanto para se libertar que as calças caíram-lhe e ficou em cuequinha preta, ou se calhar um amiguinho puxou-lhe as calças e pisgou-se, deixando-o lá naquele estado...
A GNR de Almancil chegou ao local e não conseguiu ajudar o ladrãozeco em apuros. Foi preciso a intervenção dos Bombeiros de Loulé que tiveram de partir a um bocado da parede para o tirar de lá. Foi levado pelos agentes, mas não foi preso porque nenhum juiz de instrução o ouviu. Mais benefícios da política portuguesa de incentivo à criminalidade.
Uma situação ridículamente cómica que fez o nome a minha terra andar na boca dos portugueses. É que é preciso procurar motivos de notícias nesta época fraca em acontecimentos, passada a agitação do Verão. Já se vê tudo nesta vida...
domingo, 15 de Novembro de 2009
Sugestão de leitura: "De Olhos Fixos no Sol" de Irvin D. Yalom
Depois de ter lido a obra anterior de Irvin D. Yalom - "Quando Nietzsche Chorou" - fiquei uma fã sua e comprei este livro, que é a mais recente obra do autor, publicada mais uma vez pela editora "Saída de Emergência". Posso afirmar com sinceridade que este foi o livro que mais fundo tocou num dos meus piores medos e que é exactamente o medo que Yalom quer ensinar a combater no seu livro: o medo da morte.
Yalom acredita que viver cada momento da nossa vida absolutamente conscientes da nossa morte é como tentar fixar os olhos no sol. Conseguimos apenas por segundos até a luz nos cegar. O autor escreve esta obra baseando-se na sua experiência pessoal em relação à temática da morte e nos vários casos de tratamento psiquiátrico com pacientes seus e que são bastante úteis no sentido em que o leitor se pode identificar com eles. A ansiedade de morte esconde-se num sonho poderoso, numa mudança súbita nos hábitos que fazem parte da vida, na morte de um familiar ou um amigo, até mesmo num divórcio.
Para explicar alguns dos casos referidos e a ansiedade de morte, Yalom recorre a reflexões de pensadores de todos os tempos, como Freud e Nietzsche. Mas faz uma abordagem particular a Epicuro (341 A.C. - 270 A.C.). Este filósofo entendia que, da mesma forma que um médico trata o corpo, o filósofo trata a alma. Considerava que a origem da ansiedade humana estava no medo da morte e desenvolveu exercícios mentais que Yalom introduziu no tratamento dos seus pacientes.
O autor trata o tema abertamente como se quisesse que, através da leitura deste livro, um leitor com o mesmo problema dos seus pacientes pudesse reconhecer o seu medo, tratá-lo e aprender a viver em paz com ele. Sim, porque a morte é inevitável e por vezes a conciência dela pode ajudar-nos a viver mais intensamente e quiçá mais felizes. Um livro bastante prático e útil cuja leitura é um desafio aos nossos próprios medos.
sábado, 7 de Novembro de 2009
1200 velas
É este o número de velas que temos de acender por cada pessoa que decide, por seus próprios meios, apagar de vez a chama da sua vida. A depressão, que a OMS considera que vai ser a doença mais comum nos próximos 20 anos sem escolher sexo ou idade, está associada a 1200 mortes por ano em Portugal.
A depressão é uma doença do foro psiquiátrico. Muitas pessoas não sabem isso e confundem-na com um estado passageiro de stress intenso sem grande importância. Mas não é. A depressão pode estar escondida atrás de determinados comportamentos de muitas das pessoas à nossa volta. Às vezes conseguimos sorrir quando conversamos com alguém, e mal esse alguém vira as costas, esse sorriso desvanece-se e há escuridão no nosso interior. Por vezes só precisamos de alguém que abra uma janela para deixar entrar o sol dentro de nós.
Uma depressão afecta não só a nossa vida, mas também a da nossa família, para além de pôr à prova a amizade das pessoas que se dizem nossas amigas. As depressões são cíclicas e são influenciadas por factores aparentemente sem relevância como as estações do ano. A nossa família vive todos os nossos altos e baixos connosco e sem querer, acabamos por adensar um clima de tensão e mal-estar que afecta todos os membros da família e há vezes inclusive em que a nossa depressão parece um vírus que se espalha ameaçando contaminar também os nossos familiares.
Por outro lado, os amigos paracem ter medo desse contágio e constroem um muro inquebrável de silêncio à sua volta. Nos primeiros dias, vá semanas, ainda recebemos uma mensagem no telemóvel e depois, à medida que pioramos, há isto: o nada. O insuportável e imenso nada que nos tortura a nossa mente à procura de respostas para perguntas que colocamos a nós mesmos: "Por que motivo fulano ou sicrano não me tem ligado ou mandado mensagens?". E culpamo-nos a nós mesmos, ilibando os nossos amigos.
O que me custa mais na depressão é o facto de ser uma doença muito incompreendida. Sabe-o bem quem tem de fazer o esforço quase sobre-humano de trabalhar com uma depressão que se intensifica cada vez mais. A tristeza não passa. Não há fome. Não há sede. Não há nada. O que há são patrões mal informados e insensíveis que não compreendem por que motivo faltamos ao trabalho mais de uma vez por mês. Por vezes há mesmo necessidade de meter baixa e aí começa o pesadelo da burocracia. Para recebermos algum dinheiro nesse tempo temos de cumprir um horário estipulado na baixa médica que nos autoriza ou não a sair. Como se a depressão se curasse entre as quatro paredes da nossa casa. Há inspectores da segurança social que vêm ver se estamos mesmo em casa, mas não há inspectores para ir à casa dos corruptos e evadidos fiscais, dos criminosos impunes que andam à solta e outros tantos parasitas da sociedade.
O importante é perceber que a depressão é uma doença que pode ser tratada por psiquiatras e psicólogos especializados. Podemos ter necessidade de tomar medicação que por vezes, por força das circunstâncias, é forte e leva muito tempo a fazer o efeito calmante desejado. Tomar antidepressivos requer muita atenção da nossa parte. Às vezes surge a tentação de engolir logo um frasco inteiro para que a nossa dor passe, mas o aparentemente reconfortante abraço que a visão da morte falsamente nos dá não é solução. Morremos e a dor não morre connosco, passa para as pessoas que ficam a sofrer com a nossa morte. Por mais tentadora que seja, a morte não é solução e temos de ir buscar forças não sabemos bem onde para nos reerguermos do fundo do poço em que caímos.
Temos que pensar mais nestas coisas, prestar mais atenção a quem apresenta sinais de depressão e assim, prevenindo-nos, pode ser que para o próximo ano em Portugal já não tenhamos de acender 1200 velas pelas vidas perdidas, mas sim 1199. Pode parecer pouco, mas cada vida ganha é uma grande vitória.
domingo, 1 de Novembro de 2009
Welcome back!
quinta-feira, 29 de Outubro de 2009
Ainda pode ir ver: "O Solista"
Só o facto deste filme ser realizado por Joe Wright ("Orgulho e Preconceito" e "Expiação" ) é um bom motivo para ir ver uma das estreias mais interessantes deste mês de Outubro, que já vai no fim. É mesmo um dos filmes estreados durante este ano que vale a pena ir ver.
A história baseia-se em factos reais e fala sobre um jornalista de Los Angeles, Steve Lopez (Robert Downey Jr.), que se torna amigo de um sem-abrigo, Nathaniel Ayers (Jamie Foxx), com um talento notável para a música e que toca, num violino apenas com duas cordas, nas ruas da cidade composições de Beethoven, o seu ídolo.
Lopez ganha prestígio ao fazer uma reportagem sobre Nathaniel e embora não se queira envolver demasiado, acaba por não conseguir deixar de se preocupar com Nathaniel e tenta saber quais os motivos que o levaram a trocar uma promissora carreira como solista pelas ruas de Los Angeles.
Nasce entre os dois protagonistas uma amizade à prova de tudo numa cidade, que o realizador filma no seu lado mais feio, mais ocultado pelos filmes típicos de Hollywood. Joe Wright filma os sem-abrigo e as suas vidas problemáticas nas quais só associações corajosas conseguem intervir.





